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Café turco

Dan Špaňhel Turquia Atualizado Sem comentários

O café turco (Türk kahvesi) é uma forma tradicional de preparar café, em que grãos moídos muito finos fervem com água e, muitas vezes, com açúcar num pequeno recipiente cónico chamado cezve. O resultado é uma bebida espessa e escura, de sabor marcado, coroada por uma camada generosa de espuma.

Ao contrário dos métodos modernos, em que o café é filtrado ou passa sob pressão, aqui o grão moído continua a fazer parte da bebida até ao fim.

Café turco.
Café turco.

História do café turco

A história desta bebida remonta aos tempos do Império Otomano, quando o café chegou do Iémen a Istambul no século XVI. Foi aqui que nasceu o método único de fervura no cezve, que se tornou norma para toda a região.

O café não era apenas uma fonte de cafeína, passou a ser o cimento da sociedade. Surgiram as primeiras casas de café, sítios onde as pessoas se juntavam, jogavam jogos de tabuleiro, discutiam política e trocavam novidades. O peso do café na cultura turca é tão grande que até marcou a língua - a palavra turca para pequeno-almoço, "kahvaltı", significa literalmente "antes do café". Preparar e beber café é um sinal de hospitalidade e de respeito por quem chega. Não admira que o ritual da fervura do café turco tenha entrado na lista do património cultural imaterial da UNESCO.

Preparação do café turco.
Preparação do café turco.

Como se faz um verdadeiro café turco

A base de um bom café turco está na moagem certa. Os grãos, na maioria das vezes arábica de qualidade, têm de ser moídos até ficarem num pó o mais fino possível, com uma consistência parecida com farinha ou cacau. É precisamente essa finura que garante uma extração perfeita e forma aquela suspensão característica. O outro ingrediente que conta é o açúcar. Na Turquia, o café não se adoça à mesa: o açúcar vai diretamente para o cezve durante a fervura, para se ligar ao sabor do café. Consoante o grau de doçura que preferires, podes pedir o café "sade" (sem açúcar), "orta" (meio doce) ou "şekerli" (muito doce).

A preparação do café turco vê-se muitas vezes na própria rua. Deita-se água fria num cezve de cobre, junta-se o pó de café e, se for o caso, o açúcar. Mexe-se uma única vez, ao início, para a água e o café se ligarem, e depois o cezve vai para uma chama branda ou para areia quente. À medida que a água aquece, o café começa a libertar o aroma. O objetivo não é ferver a água em cachão, mas deixá-la subir devagar. Nesse momento forma-se uma espuma densa à superfície. Assim que a espuma chega ao rebordo do cezve, o recipiente tem de sair imediatamente do lume. Esta subida pode repetir-se para aprofundar o sabor, mas a espuma não se pode perder. A borra fica na chávena por uma razão simples: o café não se filtra. Graças à moagem extremamente fina, depois de servida a bebida, as partículas mais pesadas descem ao fundo e formam uma "lama", enquanto em cima fica uma bebida limpa e forte.

Borra fina no café turco.
Borra fina no café turco.

O café turco serve-se em chávenas pequenas chamadas "fincan", muitas vezes ricamente decoradas. O café nunca vem sozinho. Vem sempre acompanhado de um copo de água. E não é raro aparecer também um cubo de lokum.

O café turco à checa, o "turek"

Na Chéquia, o termo "café turco" ou, na boca do povo, "turek" designa uma coisa completamente diferente. O turek checo nasceu como solução de recurso numa altura em que as máquinas de espresso não eram fáceis de arranjar, mas apetecia um café forte. A diferença está tanto na preparação como na matéria-prima. Para o turek checo usa-se café moído mais grosso, sobre o qual apenas se deita água a ferver na caneca. O café não ferve com a água, só é escaldado. No turek checo o grão mais grosso costuma ficar a boiar à superfície e demora a assentar, ao passo que no verdadeiro café turco a borra forma uma pasta compacta no fundo. Na Chéquia, o nome "turco" pegou sobretudo como sinónimo de café com borra, não como indicação da origem geográfica da receita.

Na Turquia, bebo o meu café turco pelo menos uma vez por dia. Gosto muito de ver como o fazem. Na maioria dos sítios aonde volto sempre, tenho os meus cafés preferidos. O "meu" vendedor de rua preferido em Istambul é o que vês nas fotografias. Todos os dias monta a sua cafetaria numa das ruas à volta da İstiklal Caddesi.

Não dá para visitar a Turquia sem provar um café turco. Faz parte integrante da cozinha turca.

Bom apetite!

Dan Špaňhel

Dan Špaňhel

Sou o Dan. Escrevo apenas sobre o que provei pessoalmente - da banca de rua à estrela Michelin. Pela comida já percorri meio mundo e experimentei de tudo - o possível e até o impossível.

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