O que comer em Yazd
Yazd (em persa یزد), no centro do Irão, é uma das cidades continuamente habitadas mais antigas do mundo e um importante centro da cultura e da história persas.
Influências históricas e geográficas na gastronomia de Yazd
Yazd fica numa região desértica e árida do Irão, onde a agricultura tradicional exige uma enorme capacidade de adaptação às condições climáticas duras. A falta de água e as temperaturas altas moldaram a cozinha local: durante séculos, os habitantes de Yazd apostaram em ingredientes fáceis de guardar, e em técnicas próprias de secagem e conservação dos alimentos.
Graças à posição da cidade na histórica Rota da Seda, Yazd teve acesso a especiarias variadas, fruta seca e frutos secos. Estes ingredientes tornaram-se parte integrante da cozinha local e definiram o seu perfil de sabores.

Ingredientes característicos da gastronomia de Yazd
A cozinha de Yazd assenta sobretudo em ingredientes duradouros e secos, comuns nas regiões desérticas do Irão:
- Fruta seca e frutos secos: Yazd é conhecida pela produção de pistácios, amêndoas e nozes de qualidade, tal como de tâmaras, passas e figos secos. São produtos que se guardam e se usam durante todo o ano.
- Especiarias: entre as especiarias típicas da gastronomia de Yazd estão o açafrão, o cardamomo, a canela, a curcuma e a água de rosas. Aparecem tanto em pratos doces como salgados.
- Farinha de trigo e cereais: como os cereais se armazenam com facilidade, a cozinha local é dominada por pão, pães achatados e pratos feitos de massas de farinha.

Doces e confeitaria de Yazd
Yazd é famosa pela produção de doces persas tradicionais. Os doces locais distinguem-se pela abundância de frutos secos, açafrão, água de rosas e açúcar. Alguns preparam-se em Yazd segundo receitas antigas, passadas de geração em geração. A doçaria de Yazd é popular em todo o Irão e muitas vezes viaja para o estrangeiro como lembrança muito procurada.

Os túneis de água (qanat) de Yazd
Yazd é conhecida pelo seu engenhoso sistema de túneis de água subterrâneos (qanat), inscrito na lista do Património Mundial da UNESCO. Estes túneis permitem transportar água mesmo no deserto árido.
Yazd fica na orla dos desertos iranianos de Kavir e Dasht-e Lut. A água é rara e preciosa nesta região seca - e, afinal, a água é um dos ingredientes mais básicos que há.
Em Yazd, era precisamente o qanat que garantia esse líquido vital.
O que comer em Yazd
- Kek-e Yazdi. Queque doce tradicional com cardamomo e água de rosas. É um símbolo de Yazd e de toda a região, popular nas festas ou a acompanhar o chá.
- Qottab. Massa doce frita recheada com uma mistura de amêndoas ou nozes, açúcar, cardamomo e água de rosas, muitas vezes polvilhada com açúcar em pó. Especialidade famosa de Yazd e lembrança clássica, ligada às pastelarias tradicionais da cidade.
- Baghlava Yazdi. A baklava à maneira de Yazd, com pistácios, amêndoas, calda de água de rosas e cardamomo. É conhecida por ter uma receita diferente das restantes versões iranianas.
- Pashmak Yazdi. Doce delicado parecido com algodão doce, aromatizado com água de rosas, pistácios ou açafrão. Doçaria típica de Yazd e prenda muito apreciada da região.
- Ash-e shooli. Sopa espessa de ervas, legumes e leguminosas, marcada por um sabor ácido. É um elemento importante da cozinha de Yazd, ligada às tradições e às festas locais.
- Ghahve Yazdi. Bebida de café com especiarias - cardamomo, água de rosas e outras. A bebida quente típica da região de Yazd.
- Haji badam. Bolachinhas doces e estaladiças de amêndoa ("badam"), açúcar e cardamomo. A ligação a Yazd deve-se à produção local de amêndoa e à tradição pasteleira da cidade.
- Loz-e Yazdi. Doce macio feito de vários frutos secos ou de coco, açúcar, água de rosas e açafrão. Uma doçaria de Yazd muito popular, muitas vezes feita pelos pasteleiros tradicionais da cidade.
- Nan panjereh Yazdi. Doce frito e quebradiço em forma de "janela" (panjereh), polvilhado com açúcar em pó. Iguaria de festa, típica precisamente de Yazd.
- Khoresht-e beh alu. Guisado de carne com marmelo (beh) e ameixas secas (alu), de sabor marcadamente agridoce. Associa-se a Yazd pelo uso tradicional do marmelo aqui cultivado.
- Faloodeh Yazdi. A variante regional da popular sobremesa gelada.
- ... e, se quiseres, mais 44 pratos iranianos da lista: O que comer no Irão.

Bom apetite em Yazd!
Ash-e shooli: a sopa tradicional iraniana da cidade de Yazd
O ash-e shooli, sopa tradicional iraniana da cidade de Yazd, é um dos tesouros culinários do centro do Irão. Esta sopa espessa e substancial deve o seu excelente sabor à combinação de ervas frescas, espinafres, beterraba, leguminosas, cebola e alho. No final, é habitual temperá-la com vinagre, que lhe dá uma acidez subtil.
Qottab: o doce iraniano frito recheado com frutos secos
O qottab é um doce tradicional iraniano de massa delicada recheada com uma mistura de frutos secos e especiarias. Esta guloseima vem da cidade de Yazd, onde se faz há gerações e faz parte das festas, das celebrações e das alegrias do dia a dia. O qottab frita-se tradicionalmente em óleo, mas a sua leveza e delicadeza vão surpreender-te pela positiva.
Ghahve Yazdi: o café de Yazd
O café de Yazd, conhecido como "café de luto", é uma bebida tradicional da cidade iraniana de Yazd. Bebe-se ao terceiro dia depois da morte de alguém. Em julho de 2019 passou a fazer parte do património cultural imaterial do Irão. A preparação é demorada, leva de 3 a 12 horas. Serve-se em pequenas taças com os doces tradicionais da região.
Kek-e Yazdi: o bolinho tradicional de Yazd, no Irão
Kek-e Yazdi é um bolinho tradicional da cidade iraniana de Yazd. Tem uma textura fofa e um aroma intenso a cardamomo. Este doce, parecido com um pequeno queque, é uma das receitas mais antigas e mais conhecidas da doçaria persa, que recorre muito a ingredientes aromáticos como a água de rosas e o cardamomo moído.
Nan panjereh: a delicada iguaria iraniana
O nan panjereh, literalmente "pão de janela", é uma sobremesa tradicional iraniana preparada sobretudo em ocasiões festivas. O aspeto característico, com desenhos decorativos que lembram janelinhas, nasce de uma forma metálica especial usada na fritura. As formas para fazer nan panjereh passam muitas vezes de geração em geração como tesouros de família.
Pashmak: o algodão doce iraniano
O pashmak é um doce tradicional iraniano de textura fofa e fibrosa, muito parecida com a do algodão doce. O seu nome significa "lã pequena" em persa. Os fios finos de açúcar do pashmak resultam de um processo exigente: a calda de açúcar misturada com farinha e óleo de sésamo é esticada e puxada vezes sem conta. O pashmak vem da cidade de Yazd, conhecida pela sua doçaria.
Haji badam: o doce tradicional iraniano de amêndoa
O haji badam é um doce tradicional iraniano feito de amêndoa. Vem da cidade histórica de Yazd, famosa pela doçaria e pelas sobremesas. Este docinho redondo, de cor dourada e textura crocante, prepara-se com amêndoa moída, açúcar, gema de ovo, açafrão e cardamomo.
Loz: o doce iraniano de amêndoas moídas
O loz é um doce iraniano tradicional feito de amêndoas moídas. Distingue-se pela textura delicada, pelo sabor marcante e pelo característico formato de losango. Há muitas variantes: de coco, de açafrão ou com extrato de flor de laranjeira. O loz é presença certa nas pastelarias iranianas.
Qanat: os canais subterrâneos de água do Irão
O qanat é um sistema de canais subterrâneos que conduz a água das camadas freáticas de zonas montanhosas ou de reservatórios até zonas situadas a cotas mais baixas, apenas com a ajuda da gravidade. Este sistema genial, com uma história de mais de 2 500 anos, é típico sobretudo do Irão, onde ainda hoje funcionam milhares de qanats. Um dos seus grandes centros é a cidade do deserto de Yazd. Pelo seu valor histórico e técnico, os qanats de Yazd estão inscritos na lista da UNESCO.
Faloodeh Yazdi: a sobremesa refrescante de Yazd
O faloodeh Yazdi é uma sobremesa fria tradicional da cidade de Yazd. A base são fios finos de amido regados com uma calda espessa de água de rosas e açúcar. Ao contrário da variante mais conhecida, o faloodeh Shirazi, que leva gelo triturado, o faloodeh Yazdi distingue-se pela calda mais espessa e pelas sementes que se lhe juntam.