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O vinho tunisino

Dan Špaňhel Tunísia Atualizado Sem comentários

A Tunísia não é apenas um país de história, cultura e natureza ricas. A Tunísia tem também uma longa e curiosa tradição vinícola, que remonta aos tempos da Roma antiga. E ainda que seja um país muçulmano, onde o consumo de álcool é limitado, a viticultura tem aqui o seu lugar e dá vinhos que merecem atenção.

A história da viticultura na Tunísia

A história da viticultura na Tunísia remonta ao Império Romano. Os romanos, que colonizaram o território da atual Tunísia, trouxeram consigo a videira e começaram a plantar vinhas. Nessa época o vinho era muito popular na região e bebia-se em quantidade. Os mosaicos e os frescos romanos encontrados na Tunísia mostram muitas vezes motivos ligados ao vinho.

Vinho tinto tunisino Coteaux de la Medjerda da adega Domaine Shadrapa, colheita de 2020. O vinho vem da região de Coteaux de la Medjerda, conhecida pela sua longa história vitivinícola, que remonta à época fenícia e romana.
Vinho tinto tunisino Coteaux de la Medjerda da adega Domaine Shadrapa, colheita de 2020. O vinho vem da região de Coteaux de la Medjerda, conhecida pela sua longa história vitivinícola, que remonta à época fenícia e romana.

A influência do islão e da colonização francesa

Depois da queda do Império Romano e com a chegada do islão no século VII, a situação mudou. O islão proíbe o consumo de álcool, o que teve um impacto considerável na viticultura tunisina. Muitas vinhas foram abandonadas ou reconvertidas para outras culturas agrícolas. Ainda assim, a tradição vinícola manteve-se em algumas zonas, sobretudo onde viviam comunidades cristãs ou judaicas.

Um marco importante para a viticultura tunisina foi a colonização francesa no século XIX. Os franceses, conhecidos pelo seu amor ao vinho, começaram a plantar novas vinhas na Tunísia e a trazer tecnologias vinícolas modernas. Durante o período colonial o vinho tunisino tornou-se popular em França e era exportado para a Europa. De resto, a influência francesa na viticultura tunisina reconhece-se ainda hoje.

A viticultura na Tunísia hoje

Depois da independência, obtida em 1956, a Tunísia tornou-se um país muçulmano e a atitude em relação ao álcool ficou mais restritiva. A produção e a venda de bebidas alcoólicas são reguladas pelo Estado e sujeitas a regras rigorosas. Beber álcool em público é proibido e a venda está limitada a certos lugares, como hotéis e alguns restaurantes e lojas.

Vinho tinto tunisino Cuvée Magnifique da adega Domaine Neferis, AOC Sidi Salem, colheita de 2020. A Domaine Neferis é conhecida pelo seu empenho em valorizar o terroir local e está entre as adegas tunisinas mais famosas.
Vinho tinto tunisino Cuvée Magnifique da adega Domaine Neferis, AOC Sidi Salem, colheita de 2020. A Domaine Neferis é conhecida pelo seu empenho em valorizar o terroir local e está entre as adegas tunisinas mais famosas.

Apesar destas limitações, as adegas tunisinas continuam a produzir vinho, ainda que em menor escala do que no passado. A maior parte das vinhas fica no norte do país, sobretudo na zona de Cap Bon e nos arredores da capital, Tunes. A Tunísia produz tintos e brancos, muitas vezes de castas locais e internacionais.

Disponibilidade e preço do vinho na Tunísia

Ainda que a Tunísia seja um país muçulmano, o vinho local encontra-se em alguns supermercados, por exemplo na cadeia francesa Monoprix. No Monoprix há uma oferta bastante ampla de vinhos tunisinos e estrangeiros. Os preços do vinho na Tunísia são, no entanto, elevados para os padrões locais, por causa dos impostos e da disponibilidade limitada. É precisamente do Monoprix que vêm os dois vinhos de que falo neste artigo. Cada um custou-me pouco menos de 30 TND (9 EUR).

Na Tunísia o vinho não é tão omnipresente como noutras regiões vitivinícolas, mas vale sem dúvida a pena provar.

Saúde, e bebe com moderação!

Dan Špaňhel

Dan Špaňhel

Sou o Dan. Escrevo apenas sobre o que provei pessoalmente - da banca de rua à estrela Michelin. Pela comida já percorri meio mundo e experimentei de tudo - o possível e até o impossível.

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