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Bánh cuốn Phương Phượng: rolinhos de arroz na Sapa de Praga

Dan Špaňhel Chéquia Atualizado Sem comentários

Na Sapa, o mercado no extremo sul de Praga, umas escadas verdes e estreitas sobem por uma fachada amarela, entre uma banca de peluches e as prateleiras dos têxteis. O letreiro por cima delas anuncia Bánh Cuốn Nóng, rolinhos quentes, e um painel redondo e azul, num pilar de tijolo, traduz aquilo para checo por via das dúvidas: rýžové závitky, rolinhos de arroz.

Lá em cima, no primeiro andar, fica o Bánh cuốn Phương Phượng, um pequeno bistro que no maior mercado vietnamita da Chéquia cozinha um prato só: os rolinhos de arroz bánh cuốn. A ementa aqui lê-se mais depressa do que o tempo que levam a passá-la para a mão.

Bánh cuốn: finas folhas de arroz recheadas com carne picada e cogumelos.
Bánh cuốn: finas folhas de arroz recheadas com carne picada e cogumelos.

O que são os bánh cuốn e porque se comem ao pequeno-almoço no Vietname

A massa líquida de arroz moído estende-se sobre um pano esticado por cima de uma panela de água a ferver, coze a vapor durante menos de um minuto e a folha pronta, fina quase até à transparência, levanta-se com uma vareta e enrola-se ainda quente à volta de um recheio de carne de porco picada e de cogumelos orelha-de-judas. O nome, esse, nada diz do recheio: cuốn significa enrolar em vietnamita, portanto bánh cuốn é simplesmente massa enrolada. Por cima vai uma mão-cheia de cebola frita, ao lado umas rodelas do enchido vietnamita chả lụa, ervas frescas e uma taça de molho agridoce nước chấm, onde se vão mergulhando os rolinhos, bocado a bocado. Algumas casas famosas de Hanói deitam-lhe ainda uma gota de essência do percevejo aquático cà cuống - tão rara e tão cara que já poucos a usam.

No Vietname, os bánh cuốn são sobretudo pequeno-almoço, o contraponto leve à sopa phở. Os mais afamados vêm do bairro de Thanh Trì, em Hanói - já nos anos quarenta o cronista Thạch Lam escrevia que eram "finos como papel e transparentes como seda", e em 2025 o Ministério da Cultura vietnamita inscreveu a arte de fazer os bánh cuốn de Thanh Trì na lista do património cultural imaterial nacional. O clássico original de lá serve-se, aliás, completamente sem recheio, só a folha nua e a cebola frita - a versão recheada, a que se faz na Sapa de Praga, é a irmã mais substancial, e o parente próximo bánh ướt é a mesma massa, servida em folha aberta e sem recheio. Papel, seda, património - e toda esta poesia serve-se em Praga por cima de uma banca de peluches.

Um bistro com uma ementa de uma linha só

A especialização estreita, o bistro trouxe-a diretamente do Vietname - as bancas famosas de Hanói vendem uma única coisa durante décadas e ninguém acha aquilo estranho. Já com o rótulo de pequeno-almoço não se importa: aqui há rolinhos a qualquer hora do dia. O pedido demora uns segundos e os rolinhos chegam à mesa em poucos minutos - por trás deste ritmo está a técnica, porque as folhas colam umas às outras ao arrefecer, e por isso enrolam-se na hora e comem-se logo. A dose é generosa: como entrada, chega bem para duas pessoas, e no bistro contam com isso - quem vem a dois recebe uma segunda taça de molho sem ter de a pedir. E quem não quiser comer lá em cima leva os rolinhos embrulhados para viagem.

A entrada do bistro Bánh cuốn Phương Phượng.
A entrada do bistro Bánh cuốn Phương Phượng.

Os rolinhos que me fazem subir ao primeiro andar

Vou ao bistro no cimo das escadas verdes há mais de dez anos e raramente vou à Sapa sem passar por lá. Experimentei aqui um restaurante atrás do outro, do bún chả ao café com ovo, mas os rolinhos do primeiro andar continuam a ser a minha aposta certa. Fazem-nos de forma impecável: as folhas estão quentes e macias, o recheio sabe a carne e a cogumelos, a cebola frita dá a cada bocado uma nota estaladiça e o molho liga tudo. A dose custava 160 CZK (6,40 EUR). A ementa continua a ter uma linha só - e em todos estes anos nunca precisei que fosse mais comprida.

Bánh cuốn Phương Phượng

Dan Špaňhel

Dan Špaňhel

Sou o Dan. Escrevo apenas sobre o que provei pessoalmente - da banca de rua à estrela Michelin. Pela comida já percorri meio mundo e experimentei de tudo - o possível e até o impossível.

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