Padaria Fratelli De Palo: panzerotti e pizza em Matera
Um convite do género "vamos almoçar à padaria" soaria a piada na Chéquia. Em Matera é um plano perfeitamente razoável: além do pão, as padarias locais fritam e assam tanta comida feita que quase passam por casa de pasto.
O Panificio Fratelli De Palo é uma das padarias históricas de Matera: uma padaria italiana com o balcão cheio de pizza, panzerotti e focaccia, com lugares sentados - e com o pão que deu fama à cidade. Fica longe dos Sassi, na parte moderna da cidade, onde raramente aparece um turista - a não ser que chegue de autocarro do aeroporto de Bari, como eu.

Os irmãos de que ninguém diz o nome
Fratelli quer dizer irmãos, portanto o nome promete uma história de família. Só que aqui a padaria é parca em palavras: segundo a tradição da casa, coze desde os anos vinte do século passado e conta-se entre as primeiras padarias da cidade, mas os nomes próprios dos irmãos fundadores não aparecem nem na apresentação da empresa nem nas fontes locais - ficou o apelido e a fórmula "de geração em geração". E o apelido não é exclusivo deles na cidade: a Pane e Tradizione De Palo, na principal rua comercial, é outro estabelecimento, por isso não te deixes enganar pela coincidência de nomes. O peso da padaria mede-se noutra lista: o consórcio que protege o pane di Matera reúne quatro padarias históricas da cidade - e a Fratelli De Palo é uma delas, ao lado da padaria Perrone, da Cifarelli e do Antico Forno Pane e Pace. Numa cidade onde ainda há cem anos as famílias levavam aos fornos comuns os pães levedados em casa, isso vale quase como um título de nobreza.
Um balcão que dá para compor um almoço
A palavra panificio designa uma padaria, mas a montra fala outra língua: ao lado dos pães empilham-se pizza, focaccia recheada, panzerotti fritos, arancini, taralli e, de manhã, cornetti para acompanhar o café. Na Fratelli De Palo podes pedir que te aqueçam a comida e há lugares sentados suficientes, o que nem em Itália é regra. Paga-se, como noutros estabelecimentos italianos do género, só no fim, numa caixa central - um sistema que conta com a tua honestidade ao declarares tudo o que comeste ao balcão.
As estrelas, essas, são quase todas de fora. Panzerotto, o pastel frito de massa de pizza, nasceu em Bari e chegou a Matera vindo da Apúlia. A focaccia barese é outro caso: essa é cozida desde sempre tanto na Apúlia como na província de Matera, a fronteira entre as regiões não conta para nada. Os arancini são importação direta da Sicília. O único que é mesmo daqui é o pane di Matera, com o selo europeu IGP: um pão irregular de trigo duro, de côdea escura - e é precisamente esse o que mais facilmente te escapa na montra, porque, ao contrário da pizza, não brilha. A cidade do pão não exibe o seu pão; dá-o por garantido.

Panzerotto ali mesmo, pizza para levar
Passo pela Fratelli De Palo sempre que visito Matera, apesar de ficar longe do centro e não ser sítio onde se pare por acaso; mas quem chega à cidade de autocarro, por exemplo diretamente do aeroporto de Bari, apanha-a quase a caminho. Da última vez comi ali mesmo um panzerotto acabado de fritar, panado em pão ralado, e um arancino grande recheado com ragù à bolonhesa. O pão ralado estalava, lá dentro o queijo quente puxava fios e o arancino sozinho valia por um almoço.
Para levar, mandei embrulhar uma fatia de pizza com friarielli e salsiccia, uma fatia com tomate e azeitonas e um pedaço de focaccia; toda a compra ficou em 10 EUR. Ninguém ali fala inglês e ainda assim entendi-me sempre - dificilmente encontras em Matera um atendimento mais prestável. E quando paguei, juntaram à compra um pequeno pão de Matera, cortesia da casa. Não cheguei a comprar o melhor cartão de visita da cidade do pão - deram-mo.

Panificio Fratelli De Palo