Ideias para comer pelo mundo | página 45 de 66
Kot Ti Baz: o bistro da avó com farata em Flic en Flac
O minúsculo bistro Kot Ti Baz, na Coastal Road em Flic en Flac, foi aberto pela avó depois de o neto lhe repetir sem parar que tinha fome. Com um frigorífico e um fogão a gás faz farata, noodles fritos e caril, e à porta cozem-se boulettes a vapor numa panela. Não o procures no Google Maps - reconhece-se pela tabuleta e pela ementa escrita à mão.
Dholl puri: o pão mauriciano recheado com ervilha amarela
O dholl puri é um pão fino recheado com uma pasta de ervilha amarela, que a Maurícia trouxe com os trabalhadores indianos a partir de 1834; cozinha-se a seco, apesar do nome que remete para um pão frito. Vende-se em papel, aos pares, com caril de feijão, rougaille e legumes em vinagre. Em Port Louis, junto a um carrinho no passeio, montam-no em vinte segundos.
Fruit confit: ananás com malagueta e manga em conserva
Nos mercados da Maurícia, a fruta vende-se de outra maneira: o ananás fresco leva malagueta por cima e a manga verde acaba numa salmoura de vinagre com sal e açúcar. A iguaria chama-se fruit confit, em crioulo konfi. O saco custa uns cêntimos e preparam-no no mercado de Port Louis e junto às praias; praticamente a mesma coisa se vende na ilha irmã, a Ilha da Reunião.
Teokon farci: tofu recheado a vapor à maneira mauriciana
Na Maurícia, o tofu é só o invólucro. O teokon farci é um pedaço de tofu barrado com uma pasta de peixe picado e camarão seco, cozido a vapor e regado com um caldo claro de galinha e cebola nova - uma entrada dos bistros chineses e das bancas de boulettes que a ilha herdou dos imigrantes hacás. O que significa o nome, porque é que o tofu se comporta como massa e quanto custou a tigela em Flic en Flac.
Riz frit: o arroz frito à mauriciana
O riz frit é o arroz frito da Maurícia: arroz cozido do dia anterior salteado no wok com ovo, frango ou camarão, legumes e molho de soja. Foram os imigrantes chineses que o trouxeram para a ilha e hoje fazem-no as casas de pasto, as cantinas escolares e os restaurantes. Porque é que não leva o nome de Cantão, em que se distingue dos parentes e como me soube em Flic en Flac.
Hakien: o rolo mauriciano frito duas vezes
O hakien é um rolo frito mauriciano de frango ou camarão picado com legumes, envolvido em polme e frito duas vezes seguidas, o que lhe dá uma crosta grossa e ondulada. Quem o trouxe para a ilha foram os chineses hacás, de quem também herdou o nome, e hoje é um dos pratos de street food mais comuns da Maurícia.
Bistro Ti Kabann: banca de praia com massa frita em Flic en Flac
Numa estância balnear também se come bem - basta meteres-te à hora do almoço na fila onde estão os locais. A banca de praia Ti Kabann, na estrada que vai de Flic en Flac para Wolmar, serve massa cozida e massa frita ao postigo por umas dezenas de rupias. O nome quer dizer Pequena Cabana e assenta-lhe na perfeição, tábua a tábua; mas no Google Maps não a procures - a coordenada mais fiável é a fila.
Piment farci: o pimento recheado à mauriciana
O piment farci é uma iguaria frita que a Maurícia partilha com a Reunião: um pimento inteiro, ligeiramente picante, cortado ao comprido, sem sementes e recheado com carne temperada ou atum com chou chou, passado por uma massa leve e frito até dourar. Vende-se à peça como petisco para acompanhar a cerveja.
Salada de gâteaux piments: as bolinhas fritas mauricianas de ervilha amarela outra vez à mesa
A salada de gâteaux piments é uma salada mauriciana fria feita com as bolinhas fritas de ervilha amarela partida da véspera, esmigalhadas e misturadas com cebola, tomate e coentros frescos, regadas com limão. A bolinha chegou à ilha com os trabalhadores contratados indianos e a Ilha da Reunião também a tem, mas a salada feita das sobras é uma ideia puramente mauriciana. Só resulta com bolinhas que já endureceram.
Coco fresco: a água e a polpa do fruto verde
O coco fresco é o fruto verde do coqueiro que nas praias e nos mercados da Maurícia se vende como bebida e como comida: o vendedor abre-o à catana, bebe-se a água transparente e, com o coco vazio na mão, volta-se lá para ir buscar a polpa branca. O coco deve o nome a um papão português, a ilha cheia de palmeiras importa os frutos de Madagáscar e a polpa do fruto verde nada tem a ver, no sabor, com o coco ralado.