Ideias para comer pelo mundo | página 35 de 66
Baklava Gavar: a baklava arménia de mel do lago Sevan
A baklava Gavar é um doce de mel em camadas da cidade arménia de Gavar, à beira do lago Sevan. Segundo a tradição, a receita foi trazida pelos colonos de Bayazet, daí ser também conhecida como baklava de Bayazet. Leva vinte e duas a vinte e cinco folhas de massa, com nozes e manteiga pelo meio, e rega-se com mel quente. Em 2022, a Arménia inscreveu-a na lista nacional do património cultural imaterial.
Nraneh: sopa de cordeiro com sumo de romã
O nraneh é uma sopa de cordeiro azedada com sumo de romã, com arroz, ervilhas, folhas verdes e coentros, que em Erevan se serve nos restaurantes Lavash e Sherep. Os dicionários e os livros de receitas arménios não o conhecem, mas a sopa de carne com romã é conhecida em todo o Cáucaso e no Irão.
Spas: a sopa de iogurte arménia
O spas é a sopa arménia de iogurte matsun, engrossada com trigo descascado ou arroz e cozida sem parar de mexer, para que o iogurte não talhe. No inverno serve-se quente, no verão fria. Tem dois nomes, uma lenda de cossacos que os dicionários não confirmam e parentes no Azerbaijão, no Irão e na Turquia. Em Erevan trazem-no à mesa em doses que em qualquer outro sítio passariam por prato principal.
Putuk: a sopa arménia de carneiro com grão-de-bico feita em panela de barro
O putuk é uma sopa arménia espessa de carne de carneiro com grão-de-bico e batata, que leva o nome da pequena panela de barro onde coze durante horas e onde tradicionalmente também se serve. O mesmo prato existe no Azerbaijão com o nome de piti e os dois países disputam-no tal como disputam a tolma. Um prato de inverno substancial, que se come à colher e pede pão para limpar o fundo - em Erevan, porém, muitas vezes chega num prato vulgar.
Arishta: a massa arménia que se tosta antes de cozer
A arishta é a massa caseira arménia de farinha, água e sal que, depois de seca, ainda se tosta a seco até alourar e só então se coze. O nome e a técnica são partilhados com o Irão, a Turquia e o Azerbaijão; a versão arménia distingue-se pela massa sem leite. Já foi reserva de inverno, hoje vende-se também embalada nos supermercados e serve-se quase sempre com manteiga e matsun.
Harissa: a papa arménia de trigo e carne
A harissa não tem nada em comum com a pasta de malagueta tunisina a não ser o nome. Na Arménia é uma papa espessa de trigo partido com carne, cozida durante horas a mexer sem parar e regada com manteiga. Os arménios consideram-na o seu prato nacional. No artigo escrevo de onde lhe vem o nome, o que tem a ver com o cerco do monte Musa Dagh e quanto pagas por ela em Erevan.
Khorovats de legumes: beringela, pimento e tomate da grelha arménia
O khorovats de legumes é beringela, pimento e tomate grelhados inteiros no espeto sobre carvão vegetal, com a mesma técnica da carne arménia. Depois de assados, tira-se-lhes a pele queimada e servem-se quentes e inteiros ou cortados numa salada com cebola, coentros e vinagre. Grelha-se assim em todo o Cáucaso, na Turquia e no Irão - de arménio tem o nome e o ritual à volta do mangal.
Lavash: o pão arménio cozido na parede do forno
O lavash é um pão ázimo fino de farinha, água e sal, que na Arménia se coze colado à parede incandescente de um forno de barro, o tonir. Em menos de um minuto incha e sai de lá espetado num gancho; fresco, dobra-se como um pano, seco, aguenta meses. A Arménia inscreveu-o na lista da UNESCO em 2014 e, dois anos depois, outros cinco países inscreveram os seus pães achatados finos.
Matnakash: o pão arménio levedado com sulcos puxados a dedo
O matnakash é um pão arménio levedado com cinco ou seis sulcos que o padeiro puxa com os dedos na massa crua - daí lhe vem também o nome, "puxado com os dedos". Ao lado do lavash é o irmão mais novo e mais grosso: em grande escala só se coze desde os anos trinta, na Rússia vende-se com um nome que não é o seu e dura apenas uns dias. O pão comprado num supermercado de Erevan leva-se para casa na mão e come-se nesse mesmo dia.
Alperces arménios: o fruto nacional que deu cor à bandeira
Na Arménia, o alperce é mais do que fruta: a faixa inferior da bandeira chama-se cor de alperce, o duduk, instrumento nacional, talha-se em madeira de alperceiro e canta-se sobre alperces tanto nas festas populares como na Eurovisão. E o nome latino Prunus armeniaca engana um pouco quanto à origem do fruto. O artigo explica de onde vem realmente o alperce, como se come e se seca na Arménia e porque é que a sua madeira faz música.