Ideias para comer pelo mundo | página 39 de 66
Supra: o banquete georgiano
Um banquete em que não podes beber quando te apetece. A supra é o banquete georgiano com regras fixas: a mesa posta de uma só vez e brindes numa ordem imutável, conduzidos pelo tamada, um orador eleito. O que significa a palavra supra, porque é que se diz por aí, erradamente, que o banquete está na lista da UNESCO e como se bebe vinho de um chifre de búfalo que não se pode pousar enquanto não estiver vazio?
Restaurante Mapshalia, Tbilisi: fila para os clássicos georgianos
Diante de uma porta discreta na avenida Aghmashenebeli, em Tbilisi, forma-se muitas vezes uma fila. O Mapshalia é uma casa de pasto barata de cozinha mingreliana que a Forbes Georgia coloca entre os melhores restaurantes da cidade. Fui comendo quase a carta toda, do lobio ao khachapuri megruli. Explico porque voltei a este sítio mais vezes do que a qualquer outro.
Queijos suíços
O mundo imagina o queijo suíço com buracos, mas de toda a família só o Emmental os tem. Um guia por nove queijos suíços: do Gruyère, que destronou o Emmental nas exportações, passando pelo Appenzeller da infusão secreta de ervas e pelo Tilsiter com nome de cidade desaparecida, até ao Sbrinz, que em vez de se cortar se parte.
Tête de Moine: o queijo suíço que se lasca em rosetas
O Tête de Moine é um queijo suíço semiduro de leite cru de vaca das montanhas do Jura, que não se corta: lasca-se em rosetas finas com o raspador girolle. O nome "cabeça de monge" só lhe chegou com a Revolução Francesa e o girolle é de 1982. Como se faz o queijo, por que sabe de outra maneira quando lascado e quanto custa uma caixa de rosetas no supermercado.
Schoggiweggli: o pãozinho de chocolate de Basileia
Um pãozinho de massa lêveda com manteiga, recheado de grandes pedaços de chocolate e com a superfície golpeada antes de ir ao forno, para que da montra já se veja o que esconde. Terá sido inventado em 1975 pelo pasteleiro Anton Bachmann, de Basileia - ainda que essa data seja contada apenas pela sua empresa. O que significa o nome, porque é que na Alemanha o confundem com outro pão e quanto custa em Basileia.
Birnbrot: o pão de pera das montanhas suíças
O birnbrot é um produto de padaria da Suíça oriental em que a massa é apenas um invólucro fino; o miolo é um recheio denso de peras secas, nozes, figos e especiarias. Nasceu nas montanhas, onde a farinha cara se esticava com fruta seca, e na Engadina serve de moeda de troca para o passeio de trenó no dia de Santo Estêvão. Corta-se em fatias para o café da tarde; o irmão mais pequeno, o birnweggen, coze-se à volta de Lucerna.
Pretzel: o pão do banho alcalino
O pretzel é um pão de banho alcalino do sul da Alemanha que se enraizou em todo o mundo de língua alemã - na Áustria, na Alsácia e também na Suíça. O nome nasceu da palavra latina para braços. Em torno do pretzel acumularam-se mais lendas do que documentos. Na preparação usa-se uma solução fraca de soda cáustica.
Os pães suíços
O Silserkranz não se corta - da coroa de pãezinhos de banho alcalino cada um arranca o seu. E o nome não lhe vem de uma aldeia nas montanhas, como tantas vezes se diz, mas do banho salgado que partilha com o pretzel. À coroa junto mais duas peças da montra de uma padaria suíça: o pãozinho de manteiga Butterweggli e o de batata Kartoffelbrötchen - com preços e sabores.
Beerawecka: o pão de Natal alsaciano de fruta seca
Na Alsácia, antes do Natal, cozem-se pães em que há mais fruta seca do que massa: peras, figos, alperces, ameixas secas, passas e nozes postas de molho em aguardente, que só uma mão-cheia de massa trabalhada lá dentro mantém unidos. A beerawecka apura durante dias ou semanas, corta-se em fatias finas e tem parentes do outro lado do Reno, na Áustria, na Suíça e no Tirol do Sul. Nem os alsacianos estão de acordo sobre o significado do nome.
Chocolate suíço
A Suíça não tem um único cacaueiro e, ainda assim, é para o mundo inteiro sinónimo de chocolate. Bastaram dois inventos do final do século XIX: o chocolate de leite de Vevey e a conchagem de Berna. A isso junta-se a lei Swissness, por causa da qual a Toblerone perdeu o Matterhorn do rótulo, e as marcas de supermercado que os próprios suíços compram.